Sobre a Educação Parental e o Bem-Estar do Educador

10-10-2016

A minha postura perante a Educação Parental pode parecer meramente intuitiva, básica e de senso comum pois, a meu ver, começa com o bem-estar psicológico daquele que educa, sendo esse, geralmente, o meu foco, mais do que o sintoma familiar expresso no comportamento da criança. 

A minha postura perante a Educação Parental pode parecer meramente intuitiva, básica e de senso comum pois, a meu ver, começa com o bem-estar psicológico daquele que educa, sendo esse, geralmente, o meu foco, mais do que o sintoma familiar expresso no comportamento da criança.

Claro que há ciência nesta minha visão, pois se tivermos em conta que educar é dar atenção a um outro ser - envolvendo um necessário auto-descentramento, para que a criança, orientada pelo adulto e agindo sobre o que ainda não consegue fazer sozinha, se desenvolva -, será o adulto aquele que necessita de estar plenamente disponível para a criança e não o contrário.

Assim, um educador - seja ele um pai, uma mãe ou ambos -, com vida biológica, psicológica e relacionalmente equilibrada, será, sem dúvida, um melhor educador porque, sem esforço, será um modelo de afecto e de educação.

A título de exemplo, a aplicação das regras e dos limites, cruciais ao desenvolvimento cerebral e da personalidade humanos, não dependerá das necessidades emocionais do adulto, mas aplicar-se-ão em função das necessidades e do comportamento da criança.

Por vezes, em consulta psicológica, aparecerem pais que, de forma não consciente, tendem a ser demasiado condescendentes na educação dos filhos, não contendo os seus comportamentos e não modelando os seus afectos e comportamentos inadequados, entravando os seus desenvolvimentos pessoais, pois sentem-se extremamente desconfortáveis perante a zanga ou a birra dos filhos. Evitam-nas a todo o custo.

Ora, a zanga e a frustração farão certamente parte do leque de reacções emocionais dos seres humanos, no geral, sempre que as suas suas vontades forem vedadas. Contudo, educar é não se preocupar com o que a criança irá pensar ou sentir acerca do educador. Lembre-se que você não é amigo do seu filho: é pai ou mãe do seu filho e este é um dos papéis mais importantes da sua vida.

Mais ainda, treinar a inibição de comportamentos bizarros ou desajustados permite, por exemplo, melhores adaptação ao meio escolar e qualidade das relações consigo mesmo e com os outros. Ou seja, a educação que já faz crescer também permite a optimização de recursos emocionais e cognitivos noutros contextos de desenvolvimento, como a escola.

Como para tornar-se melhor educador é preciso investir em certas áreas, da sua própria vida, eis os tópicos para começar a pensar-se e a melhorar, em vista de um melhor equilíbrio emocional. Caso se aperceba de um deficit, em alguma destas áreas, pode elaborar um plano de mudança. Se não o conseguir elaborar ou pôr em prática sozinho, qualquer colega treinado na mudança de comportamentos o poderá ajudar.

A área do sono: Está a dormir a quantidade de horas que o seu corpo necessita? Como classifica a qualidade do seu sono (tem pesadelos, sonhos de angústia)? Quando acorda sente que o sono foi reparador? Se alguma destas perguntas o tornou mais consciente de dificuldades nesta área da sua vida, informe-se sobre como poderá alcançar um maior e melhor sono, uma vez que ele é fundamental para o seu bem-estar emocional e para a disponibilidade na relação com os outros.

A área do trabalho: Sente-se realizado com o trabalho que tem? Estudos da área da Psicologia do Trabalho e das Organizações mostram-nos que passamos entre um a dois terços da nossa vida a trabalhar. Imagine que o seu trabalho ou o seu clima organizacional são tóxicos para si. O seu bem-estar vai certamente decrescer. O seu grau de paciência para a sua família também. Tente encontrar uma solução para mudar a sua situação laboral. A mudança, por vezes, pode assustar. É natural que assim o sinta. Mas os ganhos para a sua saúde mental são enormes e a sua família beneficiará disso.

A área da alimentação: O seu comportamento alimentar permite-lhe sentir-se saudável e energético? As refeições em família servem para que se sinta relaxado e integrado? Comunica com os seus familiares enquanto fazem as refeições? Caso isto não aconteça, talvez não consiga relaxar devido a perturbações noutras áreas da sua vida, não conseguindo gerir o stress ou focar-se no momento presente. Lembre-se que a ansiedade pode perturbar o comportamento alimentar. Por isso, tente focar-se no momento presente e partilhar com a sua família, por exemplo a descrição sensorial dos alimentos. Verbalizar as sensações e envolver a família, desafiando-a, irá ajudar a criar momentos de jogo, partilha e relação, mas sobretudo a focar todos os elementos no aqui e agora.

A área da expressão emocional: Consegue verbalizar as suas sensações, emoções e afectos às pessoas importantes da sua vida, de forma assertiva? Permite-se a mostrar, em esfera privada, a forma como se sente? Permite-se à intimidade emocional e física? Permite-se à cumplicidade? Todas estas dimensões têm um impacto enorme no bem-estar psicológico. Todos temos necessidade de verbalizar emoções e sentimentos, bem como necessidades de estabelecimento e manutenção de relações de proximidade, que permitem explorar esta esfera privada. Uma boa dica é, primeiramente, ganhar vocabulário emocional. Pesquise sobre o assunto antes de decidir partilhar a forma como se sente. Ganhará muito com isso e ainda diminuirá o stress.

A área da diversão: Quero referir-me a momentos de brincadeira, cumplicidade, relação e afecto. Ou seja, neste momento, sente que consegue tirar o melhor proveito da sua vida? Consegue carregar no botão de STOP das preocupações e focar-se no que realmente lhe faz feliz? É quem dirige a sua vida ou encontra-se à deriva? Se sentir que está à deriva, meio perdido no que faz, no que quer fazer, a sua disponibilidade emocional para a educação de uma criança poderá decrescer e a vontade de relacionar-se não será a mesma. Converse com familiares, amigos e se não conseguir perceber o que quer, como quer ou se simplesmente os impulsos levam o melhor de si, procure ajuda especializada!

Dr.ª Rute Teixeira, Neuropsicóloga e Psicóloga Clínica e da Saúde                                                           Agendamento de consultas:  96 336 74 37
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